Em 1964, quando das filmagens de “Por um punhado de dólares”, Sérgio Leone convidou um seu ex-colega de escola para compor a trilha sonora do primeiro grande Spaghetti Western da história. Depois, a dupla criativa seria responsável pela criação de algumas das mais perfeitas obras do cinema: “Por uns dólares a mais”, “Três homens em conflito”, “Quando explode a vingança”, “Era uma vez no Oeste” e “Era uma vez na América”.
As músicas de Ennio Morricone tornaram-se emblemas do gênero. Foi um compositor inovador, misturando guitarras elétricas à trilha, abusando de assovios que remetiam à solidão do ermo Oeste, e sons que imitam o uivo dos coiotes. Apesar disto, uma de suas maiores obras parece não escapar tanto da normalidade das músicas para cinema – e, mesmo assim, não deixa de ser algo inegavelmente GENIAL!
Esta é a faixa “The ecstasy of gold” (“L´estasi dell´oro”, no original italiano), parte da trilha de “The good, the bad and the ugly” (“Três homens em conflito, na versão brasileira).
No filme, a música serve de fundo para uma bela cena, em que um dos protagonista, Tuco (interpretado impecavelmente por Eli Wallach) chega finalmente ao cemitério aonde estaria enterrado o ouro dos confederados – o ouro pelo qual sofreu durante todo o filme, ao lado de Blondy (Clint Eastwood).
A cena é maravilhosa. É uma explosão, um verdadeiro êxtase, após toda a expectativa do filme. E esta música tem papel importantíssimo nisso, colocando-nos no íntimo de Tuco e fazendo-nos sentir como ele, êxtaseado pelo ouro que está ali, n´algum abaixo de seu nariz; eufórico, querendo encontrá-lo, provavelmente já sonhando com uma nova vida e sentindo-se o Rei de todas as almas do mundo.
O filme é genial, é intocável. Nunca negarei a genialidade de Sergio Leone, nem as ótimas atuações de Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach. Mas, sem as trilhas de Ennio Morricone, estes filmes jamais seriam os mesmos. O gênero “faroeste”, também, nunca seria o mesmo.
A história do cinema, por sua vez, perderia uma das mais belas obras já feitas, reveladora do imenso poder do “áudio-visual”.
Assistam.